Andressa Costa

Sobre 2025

Ah, os finais (e começos) de ano! Que época linda, regada a ansiolítico, de se viver. O que salva o fim de ano, pra mim, são as retrospectivas, esse vislumbre dos altos e baixos (normalmente altos) das vidas de outras pessoas atiça o meu lado mais instintivo, selvagem, fofoqueiro. Eu amo. E esse ano estou aqui me juntando ao clube e romantizando os últimos 365 dias.


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Quero comecar com 1 minuto de silêncio pelo meu cabelo, que estava ótimo na primeira metade de janeiro. Ele ainda não sabia, mas, em menos de um mês, tudo iria mudar.

Por algum motivo Comecei o ano relendo trechos de “A Árvore Mais Sozinha do Mundo”, da Mariana Salomão Carrara. Esse livro mexeu muito comigo, aquele sentimento muito perto de casa. Das complexidades inerentes ao SER HUMANO (!) e a máquina de moer gente que é esse sistema em que vivemos.

Nesse ritmo de festa e alto astral, segui. Uma dica de que não estava tudo bem é que foi por ali que comecei a pintar Bob Goods. Nada contra quem ama, eu inclusive acho fofo, mas não faz sentido pra mim, a pessoa que apenas reprovou em uma matéria na vida: Educação Artística. Eu não gosto de pintar, eu tenho arrepios, e não dos bons, quando a canetinha toca no papel. Eu começo pensando “não vou me pressionar” e termino odiando aquele urso maldito, que ficou ridículo com uma camisa da mesma cor da cabeceira da cama. Mas, mais uma vez (e não a última), entrei no modo: se funciona pra fulana, vai funcionar pra mim. Spoiler: não funcionou, quase nunca funciona. Um dia eu aprenderei, eu espero que não demore muito, visto que já estou atingindo a meia-idade, e alguma clareza e estabilidade mental seria bem-vinda.

No dia 25 chegou Amora ♥ assustada e gordinha. Eu amei ela desde o primeiro segundo. A Amora tem um jeitinho de pedir carinho que é muito dela: ela vem se chegando, se joga em mim e espera. Ela sabe que é adorável e que eu vou trabalhar até o fim dos meus dias FOR THE MAN pra comprar o sachê que ela gosta. Enquanto escrevo isso, Ludi dorme na poltrona do meu lado e, se sonhasse que descrevo a Amora com esse tanto de amor, estaria com as garras enfiadas na minha jugular. Eu vivo um relacionamento abusivo com esse gato e, sim, estou ciente quero continuar.

Em Fevereiro fui pela primeira vez pra SLS pedalando; resgatamos uma gatinha da chuva e em algumas semanas ela foi adotada. Minha irmã correu sua primeira competição com amigas queridas, o que nos levou ao fatídico café da manhã na padaria que, naquela mesma semana, seria interditada por questões sanitárias, e o que posso dizer é que os sinais estavam todos lá. Foi em fevereiro que comecei a tratar uma dor na panturrilha, que me acompanhou por algumas semanas. O que será que somatiza na panturrilha?

Em Março tive a ideia de fazer uma receita nova por mês (mais uma tentativa de viver mais o real, palpável, do que o digital), começaria com chajá. Não fiz nenhuma. Em março fiquei obcecada com o Oscar e ainda estou aqui (e esse ano seguirei obcecada, pois Wagner Moura). Vi & ouvi Caetano e Maria Bethânia e chorei como uma CRIANÇA. Mostrei coisas que gostava em POA pras amigas; é muito gostoso estar de passagem em um lugar que fez parte da minha vida e poder levar minhas pessoas pra conhecer os lugares que, em outra vida, eram minha rotina. Fechei março e comecei abril indo pra Curitiba ver Alanis com uma amiga querida. Alanis foi talvez a minha primeira heroína e eu ainda não sei se assimilei totalmente o que foi ver ela ao vivo. É muito forte ver uma mulher tão potente, tão segura, tão autêntica; e, de todas as músicas que são trilha sonora de vários momentos da minha vida, a que nesse momento bate mais forte é “You Learn”. Não tem revolta nem desespero, tem aquele sentimento de que tem coisas que são e apenas são: and you wait and see when the smoooooooooooooooke clears, YOU LIVE, YOU LEARN.

Em Abril, Ludi ficou doente. Tinha combinado um pedal gigante e, na noite anterior, cheguei em casa e encontrei vômito no chão, o que eu não definiria como prazeroso, mas também não é o fim do mundo nem surpreendente quando se divide a casa com gatos. O problema é que Ludi não comeu naquele dia (pelos meus cálculos) e seguiu vomitando após qualquer tentativa de alimentação. Eu cancelei tudo e começamos uma saga de consulta, exame, medicação. E, mais uma vez, a minha rede de apoio foi essencial, porque eu sofro mais do que o gato pra dar um remédio que ele não quer tomar. Aqui minha saúde mental foi de arrasta, mas Ludi melhorou em algumas semanas e, atualmente, come muito bem, e não, ele não está acima do peso, HOW DARE YOU!

E aí, quando as coisas estavam voltando pros trilhos imaginários do controle, veio Maio. MAIO SAMBOU NA MINHA CARA. Maio foi tranquilamente o PIOR mês da minha vida profissional (eu acho, houveram alguns meses ruins nessa minha vida de CLT, então eu talvez esteja fantasiando). Em Maio, eu vazei uma informação privada em produção. Se você é programador, eu imagino que esteja se perguntando COMO, no ano de 2026, eu consegui essa proeza; se você não é programador, você talvez tenha ainda mais perguntas. A questão é que foi um erro muito sério. Eu estava sob muita pressão para entregar um projeto que se arrastava por meses e que nem por um minuto acreditei que era o certo a se construir, porém, as coisas são como são, e tudo convergiu com uma distração que me causou 2 horas de caos e um trauma eterno. Eu não sei quantas noites não dormi repassando tudo que levou ao fatídico evento e o quanto me puni pensando nisso. Foi difícil, foi sério e foi tratado como deveria, mas não fui demitida/humilhada/desrespeitada, embora todas essas coisas tenham passado pela minha cabeça, um oferecimento ANSIEDADE.

Em alguma parte dessa grande confusão chamada MAIO, fiz minha primeira road trip: SC com minhas garotas. Fomos correr na meia maratona de Floripa e chega a ser cômico o estado físico em que estávamos, mas os anjos protegem as doidas e deu tudo certo. Eu preciso que você entenda a grandiosidade de entrar em um carro e dirigir para algum lugar onde você não dirigiu antes, eu não sei como explicar o que é passar toda uma vida se sentindo incapaz de tal coisa e, de repente, estar lá fazendo e foi tudo bem. Que me perdoem os não emocionados, mas eu dancei sozinha na minha sala escutando ROBYN em estado de euforia quando cheguei em casa, porque eu me levo onde eu quero.

No final de MAIO, estava prestes a sair de férias, e não eram qualquer férias, eram 31 dias da viagem que planejei por anos e, minhas deusas, como eu precisava desses dias.

Fechei esse mês de lows muito lows com um high muito high: férias. Primeira parada: Itacaré, pra passar trabalho em cima de uma prancha, porque realmente não dá pra chamar aquilo de surf, mas o que importa é que me divirto (às vezes). De bônus, conheci mulheres que viraram amigas e peguei uma infecção de ouvido, o que não foi tão legal.

Então, já estamos em Junho, e aqui, se sofri esse ano, já não lembro: a minha primeira trip de mochila, solita. Este não é o momento para descrever o que foi essa trip, a quantidade de coisas e cenários e situações e línguas que mudaram a química do meu cérebro. Vou dizer apenas que, dessa vida, eu tenho certeza que o que eu quero é botar uma mochila nas costas e caminhar por lugares.

Em Julho voltei pro frio e pro casulo. A ida, o retorno e tudo que aconteceu no meio me deixaram no modo ~ processando ~ por um tempo, mas não foi uma volta triste. É bom d+ ter pra onde voltar e, por muito tempo, eu não senti isso, e agora ali estava eu, feliz por ter ido e mais feliz por ter para onde voltar.

Em Agosto fui influenciável, fui moleque, provei o morango do amor. E fez frio, muito frio.

Em Setembro levei minhas garotas pra conhecer meu terreno (!) e esse talvez seja o lugar em que me sinto mais esquisita, mas é pra isso que eu pago terapia. Comemorei um GRANDE momento da vida da minha irmã, pintei aquarela e confirmei minha falta de talento e a impossibilidade de viver da minha arte, haja vista que ela não existe. Casei minhas amigas, que seguem há mais de uma década jogando na cara do meu coração gelado que o amor existe.

Em Outubro vi Gregório Duvivier no teatro da PUC; tive a maior decepção dos últimos anos com pessoas que considerava de casa. Vi minha amiga correr sua primeira meia maratona. Fui pra San Francisco a trabalho, é muito contraditório o momento que vivo no trabalho, pois estou feliz, eu acho, ao mesmo passo em que estou enlouquecendo com entregas que eu mesma estipulei. Ressignifiquei a cidade pra mim, corri ao nascer do sol na Golden Gate, dei mais uma chance pro Ramen e, pra mim, é não, Faro. Comi a melhor salada da minha vida, ganhei um disco do Radiohead. Voltei pra casa direto pro Turá, pra ver o Ney e, mais uma vez neste ano, me emocionar ao ouvir ele cantar que acordou com medo mas não chorou nem procurou abrigo. Senti toda a nostalgia emo que ainda me acompanha quando Fresno tocou “Quebre as Correntes”, que pedrada. Me decepcionei com um MD que deve ter sido fabricado pelo próprio leão do PROERD.

Em Novembro vi meu aniversário de 38 chegar horas após um showzão do Linkin Park, mais uma vez agradando a adole que ainda vive em mim e confusa porque a mulher madura de quase 40 ainda não chegou, e até quando esse negócio de show, sabe? (espero que pra sempre). Dito isso, foi lindo, foi realmente lindo. Tem algo catártico em cantar a plenos pulmões que I TRY SO HARD AND GOT SO FAR, IN THE END IT DOESN’T EVEN MATTER e lembrar de como tudo era tão intenso naqueles anos e como ouvir esses sons continua falando com algo meu que é muito cru e muito ingênuo. Comi um bolo bonito, mas ruim, e isso diz muito sobre MUITA coisa. Voltei a ver amigos que gostaria de não ter deixado de ver. Me presenteei com um LP do Simon & Garfunkel.

Em Dezembro trabalhei que nem uma doida e fiquei feliz por entregar o que prometi, porque eu sou cria da classe média que melhorou de vida com muito trabalho e acredita que precisa dar tudo de si, sem deixar um pingo de energia pras outras áreas da vida, kkkkrying. No meio do mês voltei a me permitir coisas como finais de semana. Fui na feira sábado de manhã, sem pressa, e, enquanto comia minha roda de carreta, pensava que pqp que dia lindo, que coisa interessante o conceito do “sábado”, que merda que existe a escala 6x1.

Aos 45 do segundo tempo, embriagada pela liberdade de não ter uma deadline com a faca enfiada no meu pescoço, decidi que ia correr a Rota do Pêssego (não tenho como explicar, mas fique com essas palavras-chave: pedal, estrada de chão, subidas, muito calor). Foi horrível, ano que vem vou de novo.

Tenho certeza que estou esquecendo de coisas importantes e espero que essas coisas não levem pro pessoal. Esse texto já ficou enorme, então os maiores flops do ano, as leituras e entretenimentos de 2025 vão ganhar seu espaço próprio. Se você chegou até aqui, obrigada! e, como diria Anitta, agradeço a mim mesma por finalmente criar vergonha na cara e escrever o que me dá vontade.


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